sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Quero Quero

Ó sentinela do pampa,
no seu entono aragano,
rude soldado pampeano
desde um tempo bem antigo
cuidando, pra que o inimigo
não nos pegue em hora incerta
solta teu grito de alerta
quando sentes o perigo,

Trazes neste peito guapo
o cantar de um farroupilha,
que se solta na coxilha
caso o perigo se agrande,
teu par de asas se expande,
e em cada uma um ferrão
como se fosse um facão
pra defender o Rio Grande,

Te observo com apreço,
velho guarda deste estado,
e me paro emocionado
quando meu olhar te avista
mantendo altiva esta crista
que o povo gaúcho tem,
tu não temes a ninguém
passando o pampa em revista,

Então me paro pensando
quando te te vejo altaneiro,
rude pássaro campeiro
gaúcho altivo a cantar,
és o último exemplar,
que resiste ao tempo novo
da bravura do meu povo
que nunca vai se apagar,

Te parece com este povo
até mesmo no semblante
tens um estilo intrigante
até no sono tirado
um olho aberto, outro fechado,
como meio se enquadrando,
pronto para sair pelheando,
se te sentir apertado,

És o eterno vigia
desta querência abençoada,
bombeando ao longe a estrada
revistando este rincão
depois soltas a cancão,
que é igual a um hino sagrado
por que tu és um soldado
que sempre cumpre a missão,

E hoje que os dias tão calmos
tu te inquietas,te anseias,
esperando que a pelheia,
rebente pelas coxilhas
pois tua alma andarilha
não esquece os entreveiros
em que eras o mensageiro
dos lanceiros farroupilhas,

E um dia quando eu me for
lá para os pagos do além,
eu não vou ouvir ninguém
vou romper os alambrados,
voltarei a este estado
é só isso que eu espero,
e não te assusta quero-quero
que eu vou rondar do teu lado.


                                                                          Róger  Maciel