quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tarde de chuva

Contemplo a chuva caindo
sorvendo o meu chimarrão,
lavando este meu rincão,
como uma benção divina
para esta terra sulina,
que eu dedico tanto amor
e que reforça o verdor
ao encharcar a campina,

A manhã surgiu pesada
mais cinza que a minha sorte,
anunciando a chuva forte,
que se chegou sem alarde,
lavando o solo que arde
alegrando a bicharada
e dando folga pra peonada
por todo o resto da tarde,

Fiquei contemplando a chuva
com um mate bem caprichado
e um olhar emocionado,
próprio da minha rudeza
as flores e sua beleza
celebrando a chuvarada,
bebendo a seiva sagrada
da alma da natureza,

E este bater de chuva
no telhado do galpão
me amacia o coração,
e eu me recordo com gosto
dele batendo no rosto,
nas lidas de antigamente,
tirando vaca da enchente
nas chuvaradas de agosto,

Ou a chuva de janeiro
que era sempre bomba de água,
e lavava nossas mágoas,
molhando pelego e laço,
pra aliviar o cansaço,
era de Deus um regalo,
pra quem "guentou" de a cavalo
uma tarde de mormaço,

E pelas tardes de julho,
depois da geada macabra
é que vem a chuva braba ,
temida pela peonada
a garoa galopeada,
aquela que chega calma,
vara o poncho,molha a alma,
e encaranga a cavalhada,

Sigo contemplando a chuva
com o meu pensar andante,
e esta chuva abundante,
que eu sou feliz me convence,
numa rima faz que eu pense,
na paisagem colorida,
louvando o ciclo da vida
na pampa sul-riograndense.


                                                 Róger  Maciel

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Militante

Tão jovem, tão vigoroso,
sonhador pela idade,
ou idiota pelo que sonha?
ideologia ou ócio em excesso?
por que o militante,
é tão diferente do governante?
será que a realidade os torna incompatíveis?

O mundo atual não precisa de militantes,
eles não ajudam em muita coisa,
utopias nunca resolveram nada,
o mundo precisa de gestores,
ou alguém que tenha peito,
para quebrar todo o vício,
e que tenha inteligência,
para fazer a reconstrução.

                                             Róger Maciel

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Utopia campeira

Sentado no meu galpão,
sorvendo um mate sem luxo,
sou feliz sendo gaúcho
andejo das sesmarias
penso naquela quantia,
da nossa população
que não tem nem um galpão,
pra enfrentar a noite fria.

Dou uma golpeada num trago,
e o chimarrão vou sorvendo,
e já escuto fervendo
um buenacho carreteiro,
penso no andejo povoeiro,
que tem menos que os meus bichos
saqueando lata de lixo
pra saciar o desespero.

Quem sabe haveria um jeito,
pra que este mundo mudasse,
que ao menos pão não faltasse
para este povo tão nobre,
que vive contando cobre,
numa miséria constante
cabresteando a governantes
que massacram quem é pobre.

Eu queria ver o dia
em que a miséria acabasse,
e que a educação chegasse,
para os menos abastados
que os filhos dos empregados,
mudassem de realidade,
frequentando a faculdade
dos filhos dos deputados.

Queria ver o idoso,
tratado com mais respeito
recebendo os seus direitos,
que isso não é favor,
trabalharam com ardor
pra construir a nação,
e a pujança deste chão
regaram com seu suor.

Queria ver deputados,
que furtam coisas alheias
indo parar em cadeias,
para não roubarem de novo
que perdessem o retovo,
este bando de matreiros,
e respeitassem o dinheiro
que sai do bolso do povo.

Queria ver a criança
tratada com mais afago,
são o futuro do pago
muito cuidado é preciso,
um pedido mentalizo
na minha rude esperança,
de ver todas as crianças
com um inocente sorriso.

Fecho a porteira dos versos
pois já estou entristecido
eu amo este chão querido,
de rudeza e fidalguia
fico sonhando com o dia,
que acabem os manifestos,
e não haja mais protestos
nos versos das poesias.


                                                    Róger  Maciel

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

As duas copas

Existe uma copa, 
bradada aos quatro ventos,
celebrada  pela plebe,
brindada pela nobreza,
enquanto cumpre a cansativa  rotina,
de  degustar iguarias ,
acompanhadas de vinhos chilenos,
que copa  tão nobre , 
tão desenvolvimentista,
que nos mostra ao mundo,
como grande  nação.

Existe uma outra,
menos divulgada,
bem  mais  ocultada,
por desconfortável,
a do assalariado,
outrora esperançoso,
que da  festa  da corte,
lhe soubrasse um  pouco,
para saciar misérias,
em copas futuras.

A copa do menino,
de pés  descalços e unhas sujas,
mas, bem mais boleiro,
que os engravatados,
que  nunca jogaram,
que nunca chutaram,
nem fizeram gols,
mas, que ditam  regras,
ao povo da bola.

Duas copas,
que não interagem,
pois a segunda ,
envergonha-se da  primeira,
quando deveria  ser ao contrario,
e para o menino, 
o menino da segunda copa,
um dia poder pagar para assisti-la,
mesmo de pé e desconfortável,
seria como conquistá-la.


                                                  Róger  Maciel

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Era só isso ministro?

         Segunda feira,  17 de  outubro o ministro Orlando silva  reúne a imprensa para  uma entrevista coletiva, visando  explicar-se  acerca  das  denúncias  de estripulias  com  o dinheiro  público. Para começar, o ministro chegou com quarenta  minutos de atraso, o que indica no mínimo  um ensaio de  ultima hora para  enfrentar o pessoal dos microfones.
          Falou, falou, e não esclareceu  bulhufas, começou usando dados, estatísticas, parcerias, incentivos a prática de  esportes nas escolas e tudo mais .Em vez de esclarecer de fato nossas dúvidas o ministro atacou as fontes das denúncias taxando de marginal, desclassificado e outros termos amigáveis o denunciante.
          Mas, a certa altura da entrevista, o ministro admitiu que sabia de algumas irregularidades no processo licitatório que recrutava  parceiros  para o segundo  tempo, e que imediatamente  mudou a forma de contratação visando eliminar qualquer possível  foco de  corrupção.
           O projeto segundo tempo, existe desde os tempos do ministro Queiroz, quer dizer ,são  irregularidades antigas, e que já deram um belo prejuízo aos cofres públicos,o que  nos faz  pensar se já não é tarde demais para investigações, partindo do princípio de que estas irregularidades foram descobertas em 2009, e o ministro só as tornou públicas agora em 2011, eu chego a me perguntar, e se estas denúncias não tivessem sido feitas o ministro teria falado sobre os problemas no segundo tempo.
            O ministro Orlando garantiu que não contratará mais nenhuma ONG depois desse problema (depois que o estrago foi feito), e que o antigo ministro agiu de boa fé e foi enganado. Bem, pelo menos o ministro tentou  explicar-se(ao contrário dos Requiões que até agridem a imprensa).
            Enquanto isso a presidente Dilma estava na África do sul, se ela avaliar o legado que a copa deixou para o país de  Mandela(um monte de elefantes brancos), ela desiste da copa.
            Não se  preocupem, isso não vai acontecer.


                                                                          Róger  Maciel
     
         

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Laurentino tinha razão!

                    Laurentino  Gomes  profetizou  em  um  de  seus livros  que  o  Brasil  era  um  país  que  nunca daria certo, eu  nunca  fui  muito  otimista  quanto  ao  nosso  "paraíso  tupiniquim",mas  daí  a achar  que tudo estava  perdido era bem  diferente.
                    Um país que  gerou   cabeças  como a  de  Darcy  Ribeiro, Anisio  Teixeira, Lúcio  Costa, Betinho,  etc, um dia  acharia  o caminho  para  eliminar  seus  problemas. Um país  com  os  nossos recursos naturais,  com  a  nossa extensão  territorial, um  dia  eliminaria a miséria de  uma vez  por  todas  da  sua sortida  lista  de  problemas.Haveria um jeito, não  sei  qual,  mas haveria.
                      Mas,  eu  tinha  que  ligar  a  tv  naquela linda  manhã  de  terça  e  me topar  com  aquele  bando  de   bárbaros agredindo um  pai  de família  por  causa  de  uma droga  de  uma  bola, dizendo  que  exigiam  respeito  com  os torcedores do  palmeiras. Como  se  eles soubessem  o que é ser  torcedor  de   algum  clube. Milton  Neves  costuma  dizer  que  o  futebol  é  a coisa  mais  importante  entre  as  menos  importantes, pelo menos é  assim  que  as pessoas   de
bem  deveriam  pensar,ops  lembrei,  aqueles  caras  não  eram  gente  de bem.
                    Penso  que  as pessoas de bem  estavam  trabalhando  ou  procurando  emprego, enquanto aquele bando de  vagabundos  atacavam um  trabalhador  que  fazia  compras  com  amigos. Mas,  nos  já  estamos  acostumados com este  tipo  de  coisa,  gente  que quebra  patrimônio alheio, faz  baderna,  por  que  o  time  perdeu  uma  partida de  futebol,muitas  vezes  com o aval  da  diretoria  do clube, aliás  é  só no  futebol,  que  os  comandantes  incentivam as  manifestações  da  massa.
                    Depois  de  mais  uma  cuia  de  chimarrão  comecei  a  acreditar  na  tese  do  Laurentino. Um  povo que  tem milhões  roubados  do  seu  bolso  todos  os  dias, que  vai  pagar  por  uma  copa  feita as pressas  o  equivalente  a três, que  reforma  o maracanã  a cada  dois  anos, e que  vota  em  políticos que  saem  da  cadeia  para  ir  ao  comício,  não tem  como  tornar-se  uma  verdadeira  civilização. Um lugar  onde se  observa  mais  Felipão do que o Sarney,  e o Mano Menezes  sente-se  mais  pressionado  que  a  Dilma está mesmo  fadado  ao  fracasso.
                   O  problema  está  nesta  habilidade  peculiar  do  nosso  "amado"  país,  capaz de  produzir  gênios  como os já citados  e  os  seres  acéfalos  que ganham  cada  vez  mais  destaque no  noticiário  cotidiano.



                                                                                                  Roger  Maciel

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Novos tempos

         Estava eu passeando, por este "mundo encantado" chamado internet, quando por curiosidade, acessei  uma enciclopédia virtual com a história de Raquel Pacheco( a Bruna surfistinha ),depois de um bom chá de absurdos, descobri que ela possui em sua "carreira", não só um filme de sucesso, mas também uma trilogia literária, em que entre outras coisas, conta como roubou o marido de uma comissária de bordo. Quando eu já estava achando que o apocalipse seria agora a tarde, fui informado que a comissária traída, também lançou um livro contando a sua versão da história e que este também era uma sucesso.
          Não pensem que eu sou um puritano paladino da moral e dos bons costumes,já fiz muitas sacanagens e orgias nesta vida. Eu sou é um grande invejoso,pois minhas orgias nunca me alçaram a  condição de celebridade, aliás, aprendi que o sucesso requer trabalho,estudo, dedicação. Fico pensando o que leva alguém a ser fã de uma pessoa que se envolve  em escândalo,expõe sua intimidade, e ainda humilha em nível nacional outra pessoa.
          Compra-se um livro de baixarias, certamente ditado a uma outra pessoa, pois, o dono da biografia não tem capacidade de formar uma frase, enquanto,ignora-se Jorge  Amado, Guimarães Rosa, Érico Veríssimo entre outros monstros sagrados da a literatura brasileira. Quem tem mais fãs?Kleber bambam  ou Marco Nanini? Bruna surfistinha ou Zuenir Ventura? Geise Arruda ou Fernanda Montenegro?
           Geise Arruda aliás é um prato cheio, ficou famosa depois de ter ido com uma saia muito curta para faculdade e gerado aquele auê, os reitores da faculdade e os alunos ficaram  indignados que ela mancharia o nome da instituição.  Pura hipocrisia, eles sabiam que se ela ficasse famosa daria entrevistas, e dando entrevistas seria um desastre, estranho  essas celebridades atuais quando abrem a boca perdem o encanto.
           Se o meu filho me pedir um conselho para atingir o sucesso direi, "envolva-se em um escândalo, mas tem que ser com alguém conhecido". Por que o meu o pai não me ensinou isso, em vez de me mandar  estudar?



                                                                         Róger  Maciel
                                                         

                                                                                 
          

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

                                País novo, mazelas antigas.
É extremamente constrangedor, o que está acontecendo  no Brasil,com  as atuais obras  para a copa do mundo. Um  verdadeiro circo dos horrores, Pelé e o ministro  Orlando Silva, mais uma “comissão de vistoria”, formada por deputados  e autoridades  em geral, garantindo que  a copa será realizada no Brasil e  será  um sucesso.
Este é o reflexo de um país que cada vez mais  ganha prestígio internacional, não sei se por  méritos próprios  ou deméritos  dos outros,  mas, que  internamente  continua  com sérios  problemas. Em  vez  de investir  em  educação,  constroe-se uma arena  em  Brasília (que aliás não tem time  nem  na  série B), a Presidente  quer  criar  um novo  imposto  para  saúde, mas, dá  400milhões  em incentivos fiscais para  o “itaquerão”, promete  ajuda  econômica  ao  bloco  Europeu, mas, não  consegue  resolver  a  greve  dos correios.
Quem  diria  que a  copa  que  daria  mostras  do nosso desenvolvimento  para  o  mundo,talvez  sirva  para  mostrar  nossos  problemas  e nossa  absurda  desorganização. A síntese  perfeita  da nossa  copa  está  em Porto Alegre, em 2013 na copa  das confederações, a arena  do Grêmio  deve estar  pronta,  mas ,  os acessos são horríveis  então não serve, ao mesmo tempo,  que o entorno do  beira  rio deve ter  sido  melhorado, mas, o estádio  estará em obras. Isso  não  é  nada já que  por  aqui  uma  rachadura  na pista interdita  uma estrada  por  meses,enquanto  que  no Japão , problemas  decorrentes  de  um tsunami  são  resolvidos em uma  semana.
Zuenir  Ventura  definiu  certa  vez  o  Brasil, afirmando  e  perguntando  na  mesma  frase:  “o país  é  bom,  o povo  é  que  não  presta,  ou será  o  contrário?”, a  verdade é  que a  copa  vai  sair  de qualquer  jeito,  o  povo  exigirá,não  importa  quantos  milhões  serão  desviados, ou  quantas  vezes  o  orçamento  terá  que  ser  refeito,pois, se a  copa  não  sair,  o mundo  irá descobrir,  que  nunca  pensamos  em infraestrutura, em melhorar o trânsito caótico, que  torna  a vida dos  trabalhadores  um martírio, e  que  nosso  sistema  de trans portes  é  uma piada.
O Brasil  lembra  a Roma de 80d.c, caindo  aos  pedaços,mas, Vespasiano  fez  o coliseu, uma das  sete   maravilhas  do  mundo  moderno,  o  povo  podia  morrer  de  fome, mas,  o  espetáculo  dos  gladiadores  não  podia  parar. Vespasiano  é  o  autor  de  uma  pérola: “pão e  circo, se  não  tiver  um  tens  que  dar  o  outro”, quase  dois  mil  anos  depois  ainda  usam  sua  tese.


                                                  Róger  Maciel ( professor e estudante de  gestão esportiva)