sexta-feira, 21 de outubro de 2011

As duas copas

Existe uma copa, 
bradada aos quatro ventos,
celebrada  pela plebe,
brindada pela nobreza,
enquanto cumpre a cansativa  rotina,
de  degustar iguarias ,
acompanhadas de vinhos chilenos,
que copa  tão nobre , 
tão desenvolvimentista,
que nos mostra ao mundo,
como grande  nação.

Existe uma outra,
menos divulgada,
bem  mais  ocultada,
por desconfortável,
a do assalariado,
outrora esperançoso,
que da  festa  da corte,
lhe soubrasse um  pouco,
para saciar misérias,
em copas futuras.

A copa do menino,
de pés  descalços e unhas sujas,
mas, bem mais boleiro,
que os engravatados,
que  nunca jogaram,
que nunca chutaram,
nem fizeram gols,
mas, que ditam  regras,
ao povo da bola.

Duas copas,
que não interagem,
pois a segunda ,
envergonha-se da  primeira,
quando deveria  ser ao contrario,
e para o menino, 
o menino da segunda copa,
um dia poder pagar para assisti-la,
mesmo de pé e desconfortável,
seria como conquistá-la.


                                                  Róger  Maciel

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