terça-feira, 25 de outubro de 2011

Utopia campeira

Sentado no meu galpão,
sorvendo um mate sem luxo,
sou feliz sendo gaúcho
andejo das sesmarias
penso naquela quantia,
da nossa população
que não tem nem um galpão,
pra enfrentar a noite fria.

Dou uma golpeada num trago,
e o chimarrão vou sorvendo,
e já escuto fervendo
um buenacho carreteiro,
penso no andejo povoeiro,
que tem menos que os meus bichos
saqueando lata de lixo
pra saciar o desespero.

Quem sabe haveria um jeito,
pra que este mundo mudasse,
que ao menos pão não faltasse
para este povo tão nobre,
que vive contando cobre,
numa miséria constante
cabresteando a governantes
que massacram quem é pobre.

Eu queria ver o dia
em que a miséria acabasse,
e que a educação chegasse,
para os menos abastados
que os filhos dos empregados,
mudassem de realidade,
frequentando a faculdade
dos filhos dos deputados.

Queria ver o idoso,
tratado com mais respeito
recebendo os seus direitos,
que isso não é favor,
trabalharam com ardor
pra construir a nação,
e a pujança deste chão
regaram com seu suor.

Queria ver deputados,
que furtam coisas alheias
indo parar em cadeias,
para não roubarem de novo
que perdessem o retovo,
este bando de matreiros,
e respeitassem o dinheiro
que sai do bolso do povo.

Queria ver a criança
tratada com mais afago,
são o futuro do pago
muito cuidado é preciso,
um pedido mentalizo
na minha rude esperança,
de ver todas as crianças
com um inocente sorriso.

Fecho a porteira dos versos
pois já estou entristecido
eu amo este chão querido,
de rudeza e fidalguia
fico sonhando com o dia,
que acabem os manifestos,
e não haja mais protestos
nos versos das poesias.


                                                    Róger  Maciel

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