Sentado no meu galpão,
sorvendo um mate sem luxo,
sou feliz sendo gaúcho
andejo das sesmarias
penso naquela quantia,
da nossa população
que não tem nem um galpão,
pra enfrentar a noite fria.
Dou uma golpeada num trago,
e o chimarrão vou sorvendo,
e já escuto fervendo
um buenacho carreteiro,
penso no andejo povoeiro,
que tem menos que os meus bichos
saqueando lata de lixo
pra saciar o desespero.
Quem sabe haveria um jeito,
pra que este mundo mudasse,
que ao menos pão não faltasse
para este povo tão nobre,
que vive contando cobre,
numa miséria constante
cabresteando a governantes
que massacram quem é pobre.
Eu queria ver o dia
em que a miséria acabasse,
e que a educação chegasse,
para os menos abastados
que os filhos dos empregados,
mudassem de realidade,
frequentando a faculdade
dos filhos dos deputados.
Queria ver o idoso,
tratado com mais respeito
recebendo os seus direitos,
que isso não é favor,
trabalharam com ardor
pra construir a nação,
e a pujança deste chão
regaram com seu suor.
Queria ver deputados,
que furtam coisas alheias
indo parar em cadeias,
para não roubarem de novo
que perdessem o retovo,
este bando de matreiros,
e respeitassem o dinheiro
que sai do bolso do povo.
Queria ver a criança
tratada com mais afago,
são o futuro do pago
muito cuidado é preciso,
um pedido mentalizo
na minha rude esperança,
de ver todas as crianças
com um inocente sorriso.
Fecho a porteira dos versos
pois já estou entristecido
eu amo este chão querido,
de rudeza e fidalguia
fico sonhando com o dia,
que acabem os manifestos,
e não haja mais protestos
nos versos das poesias.
Róger Maciel
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