Sentado no meu galpão,
sorvendo um mate sem luxo,
sou feliz sendo gaúcho
andejo das sesmarias
penso naquela quantia,
da nossa população
que não tem nem um galpão,
pra enfrentar a noite fria.
Dou uma golpeada num trago,
e o chimarrão vou sorvendo,
e já escuto fervendo
um buenacho carreteiro,
penso no andejo povoeiro,
que tem menos que os meus bichos
saqueando lata de lixo
pra saciar o desespero.
Quem sabe haveria um jeito,
pra que este mundo mudasse,
que ao menos pão não faltasse
para este povo tão nobre,
que vive contando cobre,
numa miséria constante
cabresteando a governantes
que massacram quem é pobre.
Eu queria ver o dia
em que a miséria acabasse,
e que a educação chegasse,
para os menos abastados
que os filhos dos empregados,
mudassem de realidade,
frequentando a faculdade
dos filhos dos deputados.
Queria ver o idoso,
tratado com mais respeito
recebendo os seus direitos,
que isso não é favor,
trabalharam com ardor
pra construir a nação,
e a pujança deste chão
regaram com seu suor.
Queria ver deputados,
que furtam coisas alheias
indo parar em cadeias,
para não roubarem de novo
que perdessem o retovo,
este bando de matreiros,
e respeitassem o dinheiro
que sai do bolso do povo.
Queria ver a criança
tratada com mais afago,
são o futuro do pago
muito cuidado é preciso,
um pedido mentalizo
na minha rude esperança,
de ver todas as crianças
com um inocente sorriso.
Fecho a porteira dos versos
pois já estou entristecido
eu amo este chão querido,
de rudeza e fidalguia
fico sonhando com o dia,
que acabem os manifestos,
e não haja mais protestos
nos versos das poesias.
Róger Maciel
terça-feira, 25 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
As duas copas
Existe uma copa,
bradada aos quatro ventos,
celebrada pela plebe,
brindada pela nobreza,
enquanto cumpre a cansativa rotina,
de degustar iguarias ,
acompanhadas de vinhos chilenos,
que copa tão nobre ,
tão desenvolvimentista,
que nos mostra ao mundo,
como grande nação.
Existe uma outra,
menos divulgada,
bem mais ocultada,
por desconfortável,
a do assalariado,
outrora esperançoso,
que da festa da corte,
lhe soubrasse um pouco,
para saciar misérias,
em copas futuras.
A copa do menino,
de pés descalços e unhas sujas,
mas, bem mais boleiro,
que os engravatados,
que nunca jogaram,
que nunca chutaram,
nem fizeram gols,
mas, que ditam regras,
ao povo da bola.
Duas copas,
que não interagem,
pois a segunda ,
envergonha-se da primeira,
quando deveria ser ao contrario,
e para o menino,
o menino da segunda copa,
um dia poder pagar para assisti-la,
mesmo de pé e desconfortável,
seria como conquistá-la.
Róger Maciel
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Era só isso ministro?
Segunda feira, 17 de outubro o ministro Orlando silva reúne a imprensa para uma entrevista coletiva, visando explicar-se acerca das denúncias de estripulias com o dinheiro público. Para começar, o ministro chegou com quarenta minutos de atraso, o que indica no mínimo um ensaio de ultima hora para enfrentar o pessoal dos microfones.
Falou, falou, e não esclareceu bulhufas, começou usando dados, estatísticas, parcerias, incentivos a prática de esportes nas escolas e tudo mais .Em vez de esclarecer de fato nossas dúvidas o ministro atacou as fontes das denúncias taxando de marginal, desclassificado e outros termos amigáveis o denunciante.
Mas, a certa altura da entrevista, o ministro admitiu que sabia de algumas irregularidades no processo licitatório que recrutava parceiros para o segundo tempo, e que imediatamente mudou a forma de contratação visando eliminar qualquer possível foco de corrupção.
O projeto segundo tempo, existe desde os tempos do ministro Queiroz, quer dizer ,são irregularidades antigas, e que já deram um belo prejuízo aos cofres públicos,o que nos faz pensar se já não é tarde demais para investigações, partindo do princípio de que estas irregularidades foram descobertas em 2009, e o ministro só as tornou públicas agora em 2011, eu chego a me perguntar, e se estas denúncias não tivessem sido feitas o ministro teria falado sobre os problemas no segundo tempo.
O ministro Orlando garantiu que não contratará mais nenhuma ONG depois desse problema (depois que o estrago foi feito), e que o antigo ministro agiu de boa fé e foi enganado. Bem, pelo menos o ministro tentou explicar-se(ao contrário dos Requiões que até agridem a imprensa).
Enquanto isso a presidente Dilma estava na África do sul, se ela avaliar o legado que a copa deixou para o país de Mandela(um monte de elefantes brancos), ela desiste da copa.
Não se preocupem, isso não vai acontecer.
Róger Maciel
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
O Laurentino tinha razão!
Laurentino Gomes profetizou em um de seus livros que o Brasil era um país que nunca daria certo, eu nunca fui muito otimista quanto ao nosso "paraíso tupiniquim",mas daí a achar que tudo estava perdido era bem diferente.
Um país que gerou cabeças como a de Darcy Ribeiro, Anisio Teixeira, Lúcio Costa, Betinho, etc, um dia acharia o caminho para eliminar seus problemas. Um país com os nossos recursos naturais, com a nossa extensão territorial, um dia eliminaria a miséria de uma vez por todas da sua sortida lista de problemas.Haveria um jeito, não sei qual, mas haveria.
Mas, eu tinha que ligar a tv naquela linda manhã de terça e me topar com aquele bando de bárbaros agredindo um pai de família por causa de uma droga de uma bola, dizendo que exigiam respeito com os torcedores do palmeiras. Como se eles soubessem o que é ser torcedor de algum clube. Milton Neves costuma dizer que o futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes, pelo menos é assim que as pessoas de
bem deveriam pensar,ops lembrei, aqueles caras não eram gente de bem.
Penso que as pessoas de bem estavam trabalhando ou procurando emprego, enquanto aquele bando de vagabundos atacavam um trabalhador que fazia compras com amigos. Mas, nos já estamos acostumados com este tipo de coisa, gente que quebra patrimônio alheio, faz baderna, por que o time perdeu uma partida de futebol,muitas vezes com o aval da diretoria do clube, aliás é só no futebol, que os comandantes incentivam as manifestações da massa.
Depois de mais uma cuia de chimarrão comecei a acreditar na tese do Laurentino. Um povo que tem milhões roubados do seu bolso todos os dias, que vai pagar por uma copa feita as pressas o equivalente a três, que reforma o maracanã a cada dois anos, e que vota em políticos que saem da cadeia para ir ao comício, não tem como tornar-se uma verdadeira civilização. Um lugar onde se observa mais Felipão do que o Sarney, e o Mano Menezes sente-se mais pressionado que a Dilma está mesmo fadado ao fracasso.
O problema está nesta habilidade peculiar do nosso "amado" país, capaz de produzir gênios como os já citados e os seres acéfalos que ganham cada vez mais destaque no noticiário cotidiano.
Roger Maciel
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Novos tempos
Estava eu passeando, por este "mundo encantado" chamado internet, quando por curiosidade, acessei uma enciclopédia virtual com a história de Raquel Pacheco( a Bruna surfistinha ),depois de um bom chá de absurdos, descobri que ela possui em sua "carreira", não só um filme de sucesso, mas também uma trilogia literária, em que entre outras coisas, conta como roubou o marido de uma comissária de bordo. Quando eu já estava achando que o apocalipse seria agora a tarde, fui informado que a comissária traída, também lançou um livro contando a sua versão da história e que este também era uma sucesso.
Não pensem que eu sou um puritano paladino da moral e dos bons costumes,já fiz muitas sacanagens e orgias nesta vida. Eu sou é um grande invejoso,pois minhas orgias nunca me alçaram a condição de celebridade, aliás, aprendi que o sucesso requer trabalho,estudo, dedicação. Fico pensando o que leva alguém a ser fã de uma pessoa que se envolve em escândalo,expõe sua intimidade, e ainda humilha em nível nacional outra pessoa.
Compra-se um livro de baixarias, certamente ditado a uma outra pessoa, pois, o dono da biografia não tem capacidade de formar uma frase, enquanto,ignora-se Jorge Amado, Guimarães Rosa, Érico Veríssimo entre outros monstros sagrados da a literatura brasileira. Quem tem mais fãs?Kleber bambam ou Marco Nanini? Bruna surfistinha ou Zuenir Ventura? Geise Arruda ou Fernanda Montenegro?
Geise Arruda aliás é um prato cheio, ficou famosa depois de ter ido com uma saia muito curta para faculdade e gerado aquele auê, os reitores da faculdade e os alunos ficaram indignados que ela mancharia o nome da instituição. Pura hipocrisia, eles sabiam que se ela ficasse famosa daria entrevistas, e dando entrevistas seria um desastre, estranho essas celebridades atuais quando abrem a boca perdem o encanto.
Se o meu filho me pedir um conselho para atingir o sucesso direi, "envolva-se em um escândalo, mas tem que ser com alguém conhecido". Por que o meu o pai não me ensinou isso, em vez de me mandar estudar?
Róger Maciel
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
País novo, mazelas antigas.
É extremamente constrangedor, o que está acontecendo no Brasil,com as atuais obras para a copa do mundo. Um verdadeiro circo dos horrores, Pelé e o ministro Orlando Silva, mais uma “comissão de vistoria”, formada por deputados e autoridades em geral, garantindo que a copa será realizada no Brasil e será um sucesso.
Este é o reflexo de um país que cada vez mais ganha prestígio internacional, não sei se por méritos próprios ou deméritos dos outros, mas, que internamente continua com sérios problemas. Em vez de investir em educação, constroe-se uma arena em Brasília (que aliás não tem time nem na série B), a Presidente quer criar um novo imposto para saúde, mas, dá 400milhões em incentivos fiscais para o “itaquerão”, promete ajuda econômica ao bloco Europeu, mas, não consegue resolver a greve dos correios.
Quem diria que a copa que daria mostras do nosso desenvolvimento para o mundo,talvez sirva para mostrar nossos problemas e nossa absurda desorganização. A síntese perfeita da nossa copa está em Porto Alegre, em 2013 na copa das confederações, a arena do Grêmio deve estar pronta, mas , os acessos são horríveis então não serve, ao mesmo tempo, que o entorno do beira rio deve ter sido melhorado, mas, o estádio estará em obras. Isso não é nada já que por aqui uma rachadura na pista interdita uma estrada por meses,enquanto que no Japão , problemas decorrentes de um tsunami são resolvidos em uma semana.
Zuenir Ventura definiu certa vez o Brasil, afirmando e perguntando na mesma frase: “o país é bom, o povo é que não presta, ou será o contrário?”, a verdade é que a copa vai sair de qualquer jeito, o povo exigirá,não importa quantos milhões serão desviados, ou quantas vezes o orçamento terá que ser refeito,pois, se a copa não sair, o mundo irá descobrir, que nunca pensamos em infraestrutura, em melhorar o trânsito caótico, que torna a vida dos trabalhadores um martírio, e que nosso sistema de trans portes é uma piada.
O Brasil lembra a Roma de 80d.c, caindo aos pedaços,mas, Vespasiano fez o coliseu, uma das sete maravilhas do mundo moderno, o povo podia morrer de fome, mas, o espetáculo dos gladiadores não podia parar. Vespasiano é o autor de uma pérola: “pão e circo, se não tiver um tens que dar o outro”, quase dois mil anos depois ainda usam sua tese.
Róger Maciel ( professor e estudante de gestão esportiva)
Assinar:
Postagens (Atom)